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A Gangorra e o Cariri


As pequenas veias do progresso do Estado da Paraíba não correm em todas as direções, portanto, as torneiras que irrigam as lavouras do progresso do Estado estão vazias para o Cariri de Taperoá, localizado no coração do estado.

Oscilando em movimentos como uma gangorra, aquele brinquedo infantil que enquanto um lado sobe o outro desce, a economia e o tecido social das duas partes do Cariri paraibano não estão posicionados em equilíbrio, enquanto o Cariri de Monteiro está em alta o de Taperoá está em baixa.

Os resultados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M, 2.000) dos municípios de Taperoá de 0,575, Assunção de 0,611, Livramento de 0,586, Desterro de 0,575, Teixeira de 0,624, Salgadinho de 0,564, Imaculada de 0,542, Santa Terezinha de 0,581 e Água Branca de 0,563, foram aquém dos municípios liderados politicamente pela cidade de Monteiro (IDH-M = 0,603), onde aparece a cidade de Sumé com IDH-M de 0,658, Serra Branca de 0,667, São João do Cariri de 0,674, São Domingos do Cariri de 0,675, Ouro Velho de 0,633, Gurjão de 0,639 e São José dos Cordeiros de 0,631.

O lado de Taperoá, com IDH médio de 0,580, é mais pobre, as pessoas vivem menos e existem mais analfabetos que no Cariri de Monteiro (IDH-M de 0,647). Em 1991, os valores médios dos IDH-M destas duas partes do Cariri eram praticamente idênticos, sendo 0,533 para o Cariri de Taperoá e 0,544 para o de Monteiro. Mas, porque o IDH-M do lado de Taperoá cresceu somente 8% de 1991 a 2000, e o de Monteiro cresceu 19%, ou seja, 11% a mais? Será que a região de Taperoá silenciosamente vem se transformando num cinturão de miséria e de atraso? A pergunta é de assustar por estarmos vivendo no quarto Estado mais pobre da federação.

Embora seja uma pista valiosa, o IDH-M não esclarece as causas específicas do problema, mas a partir dele podem ser elaboradas teorias que ajudem a entender melhor seus resultados. O valor do IDH reflete três indicadores: educação, que inclui as taxas de alfabetização e de matrícula, renda (PIB per capita) e longevidade. A cidade de Taperoá é um modelo perfeito para os municípios vizinhos, ver por exemplo seus indicadores no ano de 2000: população 13.291; taxa de crescimento anual -2%, população feminina 52% e masculina 48%, esperança de vida 57,3 anos, freqüência escolar 78,4%, analfabetismo de adultos 44%, renda per capita R$ 71,79, posição no IDH-M do Estado da Paraíba 133° de 223 municípios, 1.355º no IDH-M do Nordeste entre 1.787 municípios e 5.038º no Brasil entre 5.507 municípios brasileiros, ou seja, Taperoá está entre os municípios mais pobres da Paraíba e do Nordeste e entre os 500 mais pobres do Brasil. A sensação de saber que o IDH-M do Cariri do lado de Taperoá é pior que o de Nações como a Namíbia africana (0,627), Vietnã (0,704) é desconfortável. A renda per capita municipal de 1 dólar por dia, põe todos abaixo da linha da pobreza, e representa 1/5 do salário mínimo atual de R$ 350,00.

O IDH-M, também traz surpresas como as cidades do Sertão da Paraíba como Souza (0,658), Patos (0,678) e Cajazeiras (0,685) têm IDH-M superiores aos das cidades do Brejo como Areia (0,611), Solânea (0,615), Bananeiras (0,599) e Esperança (0,632), que por sua vez, estas têm IDH-M menores que os da cidade de Cabaceiras de 0,682, considerada a cidade mais seca do Brasil. Isto mostra que o regime pluviométrico ajuda mas não é suficiente para fazer uma região ou cidade progredir mais que outra de região seca, dando a entender que existem outros fatores mais importantes.

Um deles é o peso político que cada cidade ou região tem através de sua representação parlamentar. O que se percebe é que tanto o Brejo em relação ao Sertãocomo o Cariri de Taperoá em relação ao Cariri de Monteiro, as correlações de forças políticas tendem a favorecer mais o Sertão e a região de Monteiro que as outras duas. Basta apenas perguntar: quem é e quantos são os parlamentares que representam o Cariri de Taperoá ou o Brejo? Muito poucos em comparação com o Sertão e o Cariri de Monteiro. Portanto, no tabuleiro de xadrez das decisões políticas na Paraíba perdem as regiões de Taperoá e do Brejo e ganham de goleada as regiões de Monteiro e do Sertão.

Como melhorar o IDH-M de cidades como Taperoá? A equação do desenvolvimento é simples, basta compreender que o gasto que se faz com educação, saúde e geração de trabalho e renda não é despesa, mas investimento. Melhorar a educação requer ações rápidas e agressivas, uma delas é a inserção digital das pessoas via internet sem fio e gratuita. Com acesso a informação, as pessoas adquirem conhecimento e, por sua vez, encontram soluções para os problemas simples ou complexos do cotidiano delas. Se não existem verbas no município, então, porque não recorrer ao MEC ou buscar convênios com Petrobrás, Banco do Nordeste e outras fontes como as ONGS? É preciso entender que a educação não pode esperar , pois dos três indicadores analisados no IDH, ela responde por 60,78% dos avanços; a renda, por 25,78%, e a longevidade, por 13,44% (Fonte: PNUD, 2000).

Taí outra grande desvantagem do Cariri de Taperoá em relação ao Cariri de Monteiro, neste último, os municípios entenderam mais rápido as regras do jogo. Lá se criou escolas agrícolas municipais, se implantou Campus universitário da UEPB e da UFCG, enquanto na região ou na cidade de Taperoá pouco ou nada foi feito e lamento reconhecer que no próximo IDH-M a diferença entre estas duas sub-zonas da Paraíba irá se acentuar, com o lado de Taperoá perdendo ainda mais espaço no progresso em relação ao lado de Monteiro.

No plano privado, Taperoá já foi um pólo exportador de milho, algodão e sisal para outras regiões do país, são muitos os relatos de antigos moradores da cidade sobre carretas que vinham buscar milho e levar para o Paraná. Na época existia a Araújo Rique e a Sanbra que adquiriam o algodão da região e vendiam para outras cidades e, coincidência ou não, o fechamento dessas indústrias, fez desaparecer também os canários da terra e os pardais vindo a seguir no lugar deles.

Não se quer por em dúvida a importância da criação de gado e de caprinos na região, mas ambas são incapazes de resolver tudo. A sustentabilidade econômica local requer algo mais que a derrubada de matas nativas e plantação de capim para boi e cabra comer. A criação de pequenos animais no semi-árido tem próximo a Taperoá, na granja Serrote Redondo de São José do Egito, Estado de Pernambuco, um grande exemplo de sucesso. A criação de galinhas caipiras, pelo impacto na qualidade do alimento e na saúde dos mais pobres, também deve está entre as primeiras prioridades de qualquer governo no semi-árido.Outro exemplo a ser seguido é o da CODEVASF- Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco – que está tentando implantar a citricultura e a avicultura de corte na região de Petrolina. O cultivo de plantas em estufas plásticas em encostas de morros na China é uma ótima opção de produzir alimentos a baixo custo com economia hídrica em pequenas áreas ociosas.

Então, a contribuição da atividade empresarial para o crescimento do IDH-M não pode ser desprezada, é só ver que os melhores índices brasileiros são de cidades com grande parque industrial privado. É preciso apostar em atividades como o turismo rural, que emprega e traz recursos para o município, que faz surgir a indústria do artesanato e aumenta o intercambio entre pessoas de diferentes partes do mundo revigorando as forças criativas de uma região.
Parece que antes cheias e abundantes na década de 70, as fontes de recursos públicos para apoiar o progresso do Cariri secaram. Esperam-se que as oportunidades preciosas de catapultar a economia local com recursos fáceis e fartos de outrora não tenham sido perdidas. Um índice que mede bem o progresso de um município é o preço do hectare de terra. Em alguns municípios o hectare ficou tão barato que pode ser comprado por menos de R$ 200,00.

taperoa.com
José Humberto Vilar da Silva

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