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As curiosidades da Pedra do Pico

Venha visitar a serra do pico…

A ação do vento e da chuva escavou na pedra os contornos de uma figura que parece a cara de um gorila. Mais acima, uma trilha de bromélias desperta a atenção dos visitantes, por causa do colorido inusitado, que se confunde com as cores do horizonte. Este é um dos cenários naturais e curiosos da Pedra do Pico, em Taperoá, no Cariri paraibano, a 308 Km da Capital, que começa a despertar para o turismo ecológico.

Os mapas geográficos do Estado indicam uma altura de 924m metros para este acidente geográfico de singular beleza, que pertence ao complexo de montanhas da Cordilheira da Borborema. A importância histórica do setor é estratégica. Por aqui, passaram as primeiras expedições de bandeirantes da Casa dos Garcia D`Ávilla, na Bahia, com o objetivo de colonizar as sesmarias concedidas aos pioneiros portugueses que povoaram a região, dando origem às prósperas cidades e fazendas de criação de gado do Cariri.

Este paraíso ecológico – a Pedra do Pico -, situa-se a Noroeste do centro de Taperoá, a uma distância de 18 Km da área urbana. É uma nesga de terra espremida entre o Sítio Olho d` água e a Serra das Almas, onde a ocorrência de ipês amarelos e variadas plantas xeroftas, emprestam um colorido especial à paisagem, principalmente nos dias de sol.

Encravado numa região de transição climática entre o Cariri e o Sertão, o sopé da Pedra do Pico é um verdadeiro oásis, em pleno semi-árido. O setor se mantém verde em todas as épocas do ano. É beneficiado pela superficialidade do lençol freático, que libera água de excelente qualidade para irrigar as fruteiras. A explicação para a existência deste cinturão verde ao pé da montanha é simples: as camadas de rochas cristalinas impedem a absorção total da água e o excesso é lançado no ar, em forma de finíssima chuva, pela transpiração das jaqueiras, mangueiras e cajueiros, que existem lá há mais de 100 anos.

“Você já viu jaca-manteiga no Cariri? Pois, esta daí é jaca-manteiga”, explica Deoclécio Moura, Procurador do Governo do Estado da Paraíba. Recentemente, ele organizou uma expedição com amigos e escalou o Pico da Serra, para conhecer de perto as curiosidades do lugar. Um tipo de orquídea popularmente conhecida por “mão de onça”, causou boa impressão. “Quando ela se desmancha , deixa uma maciez de talco na ponta dos dedos”, admira-se um dos exploradores.

As fruteiras da Serra do Pico são um dos poucos vestígios que marcam a intromissão humana no local. O ermo que se avista nas redondezas comprova que até os rijos bandeirantes que acompanharam Pascácio de Oliveira Ledo, no desbravamento do Cariri, enfrentaram muitos obstáculos maturais, para atingir seus objetivos. “Vamos trabalhar para mantermos a Pedra do Pico tão intocávell quanto nos tempos da colonização”, sugere Deoclécio, que recentemente elegeu-se prefeito de Taperoá. A principal intenção é evitar que ali se instale um turismo predatório, para não comprometer os recursos naturais do segundo maior ponto culminante da Paraíba.

UM ATRAENTE SOCAVÃO DE SERRA

Quem chega ao pé da Pedra do Pico, admira-se com as curiosidades oferecidas aos visitantes. No outro lado da montanha, existe a casa de pedra. Foi construída pelo eremita conhecido por Joãozinho das Almas. Em cima de uma laje de granito, ele fez a casa de tijolos, com sótão e janelas, onde, em 1912 escondeu-se o cangaceiro Antonio Silvino e seu bando, tenazmente perseguidos pela polícia.

O zootecnista José Dinaldo Villar, diretor da ANDE – Associação Nordestina para a Defesa dos Ecossistemas -, uma ONG de destacada atuação na Paraíba, garante que 90% da área ainda não sofreu devastação causada pelo homem. “Temos 200 hectares de uma mata primária que comprovam isto”, afirma. “A mata está aí desde os tempos de Cristo”.

Na área do Pico da Serra a caça é proibida. A ANDE já libertou nas redondezas mais de 10 mil aves, cujas espécies estão ameaçadas de extinção. Uma das raridades da fauna local é o xexéu e o gavião turona, a águia nordestina. As onças jaguatiricas e os gatos selvagens vermelhos e azuis já são vistos caçando as rolinhas que voam aos bandos.

Vez por outra, os visitantes se assustam com as cobras que cruzam as trilhas sobre as rochas. Nos alagados do sopé, as gibóias se movem lentas, por dentro do capim. A ANDE trabalha para que a região em torno do Sítio Olho D`água, que envolve a Pedra do Pico, gradativamente se transforme em habitat adequado para a fauna silvestre da região. Para isto, já busca ajuda de técnicos da UFPB, com quem mantém diversos projetos de preservação ambiental.

Um deles visa a proteção e preservação das aves columbiformes, que reúnem espécies de rolinhas branca, cascavel, cabocla e asa branca, ainda hoje os alvos prediletos dos caçadores. “O animal selvagem visto por aqui não será molestado de forma alguma”, repete Villar. Os rastros da onça jaguatirica são notados nas imediações, embora ninguém tenha conseguido ver uma de perto, nos últimos dois anos. Este animal e outros de menor porte têm esconderijos naturais, para protegê-los dos predadores.

Uma caverna de aproximadamente 150m de extensão, desafia os exploradores modernos. “Já desci uns 50m. Não ousei ir muito longe, porque não estava preparado”, conta Villar. Ele admite ter ouvido de moradores mais antigos, que a caverna inicia com uma abertura vertical e tem passagens largas e estreitas, além de diversos labirintos. Ninguém sabe, ainda, onde ela acaba. Nas partes já exploradas, a caverna não apresenta inscrições, embora sugira um abrigo primitivo de humanos.

“A gente entra na caverna normalmente e não sente nada. Depois de uns cinqüenta metros surge um ventinho como se fosse ar-condicionado”, explica um visitante. É conhecida a história de um caçador que costumava dormir dentro da caverna. Villar não confirma esta versão.”A caverna pode servir para uma exploração metódica, por não apresentar nenhum interesse de caráter científico”, diz Villar. Neste socavão de serra, as curiosidades e atrações são muitas.

O MAIOR CAJUEIRO DO MUNDO?

Em Natal (RN) existe o maior cajueiro do mundo na horizontal. Na Pedra do Pico, um cajueiro de aproximadamente 45m de altura, pode ir para no rol dos inusitados do Guiness Book, por se apresentar, até agora, como o cajueiro maior do mundo na vertical. “A vegetação está cobrindo a planta mas a gente vai providenciar a limpeza, para medi-lo melhor”, promete Villar. Segundo ele, o cajueiro cresceu forçado por um paredão de pedra, que o impediu de se desenvolver nas laterais. “A saída dele foi subir”, esclarece.

Outra atração diferente da Pedra do Pico é o número de árvores grandes que cresce à parte da floresta de arbustos, a vegetação característica do semi-árido. Nelas, são vistos o gavião turona, identificada como a maior ave de rapina das espécies encontradas no Nordeste do Brasil. Os macacos-prego, que já rareiam até nas matas do Litoral, aparecem em pequenos bandos na Pedra do Pico, ainda povoada de pau d’arcos, sucupiras e aroeiras, que sumiram das matas interiores desde o Século XIX.

Toda esta maravilha natural é proporcionada por um fenômeno raro no semi-árido, mas que ocorre com freqüência na Pedra do Pico: a regularidade de chuvas, que deixam a região pontilhada de áreas verdes, até em cima do lajedo. Este ano choveu mais de mil milímetros entre a Serra das Almas e a Pedra do Pico. Em Guarabira, no centro do Brejo, a precipitação pluviométrica registrada foi de 1.200 milímetros. O riacho do mineiro, o maior afluente do rio Taperoá, atravessa cinco quilômetros da região e, apesar do sol, mantém suas águas sempre frias.Para tornar a área mais atraente em termos ecológicos, a ANDE pretende incluir a Pedra do Pico no perímetro de 10 mil hectares disponíveis na Paraíba, para a libertação de animais em cativeiro. Outras áreas da ONG, destinadas a este serviço, localizam-se no Lajedo do Pai Mateus, em Boa Vista, a 146 Km da Capital e na fazenda Jurema, em Sumé, já conhecida como o paraíso da fauna regional.

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