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Atores se preparam para filmar A Pedra do Reino

Taperoá. A cidade com cerca de 13.500 habitantes espalhados por 640km² no sertão da Paraíba está vendo sua rotina mudar. Um antigo armazém de algodão se tornou um galpão de ensaio e casas ao redor ganharam movimentação e coloridos diferentes ao se transformarem em ateliês de figurino, cenografia, direção de arte e caracterização.

Há três semanas estão sendo feitos os ensaios com elenco para as filmagens de A Pedra do Reino, microssérie de Luiz Fernando Carvalho, baseada no romance do escritor paraibano Ariano Suassuna.

Taperoá. A cidade com cerca de 13.500 habitantes espalhados por 640km² no sertão da Paraíba está vendo sua rotina mudar. Um antigo armazém de algodão se tornou um galpão de ensaio e casas ao redor ganharam movimentação e coloridos diferentes ao se transformarem em ateliês de figurino, cenografia, direção de arte e caracterização.

Há três semanas estão sendo feitos os ensaios com elenco para as filmagens de A Pedra do Reino, microssérie de Luiz Fernando Carvalho, baseada no romance do escritor paraibano Ariano Suassuna.

Adaptada por Bráulio Tavares, Luís Alberto de Abreu e Luiz Fernando Carvalho, A Pedra do Reino, microssérie da TV Globo com produção independente da Academia de Filmes, será exibida em junho de 2007, dando início ao Quadrante. O projeto nasceu do desejo do diretor Luiz Fernando Carvalho de contar o país, através da adaptação de obras literárias. Com a exibição de duas microsséries por ano, o Quadrante fará uma grande caminhada por todos os estados brasileiros.

Guiado pelas emoções das várias histórias e realidades do país, o Quadrante busca revalorizar o imaginário brasileiro, identificando a cultura nacional como fator decisivo para a identidade e o desenvolvimento da nação. A cada microssérie do projeto Quadrante, Luiz Fernando Carvalho vai trabalhar com artistas locais – atores, músicos e artistas plásticos, por exemplo – buscando identificar talentos em todo Brasil.

“Estou em busca de uma dramaturgia que, por tudo e por todos, precisa se reoxigenar, encontrando assim novas formas de narrar e novas emoções. Com o Quadrante, passarei por ficcionistas como Suassuna, Milton Hatoum, Sérgio Faraco, Luiz Ruffato e João Paulo Cuenca, que, postos lado a lado, esses textos revelarão, a exemplo de um caleidoscópio, um país rico em emoções, mas também de sentimentos contraditórios”, afirma Luiz Fernando Carvalho.

Preparação dos atores

Na abertura dos ensaios, a atriz Fernanda Montenegro conversou com o elenco – formado essencialmente por atores nordestinos, em grande parte “pinçados” de grupos de teatro de rua da região. Em declarações apaixonadas por sua profissão, Fernanda falou sobre o sagrado ofício do ator e foi aplaudidíssima pela platéia emocionada. “Estou numa tribo de primeiríssima qualidade. Somos todos de uma tribo vocacionada e isso é um privilégio. Nosso ofício não tem a condenação bíblica do trabalho. O suor do nosso rosto não é um castigo, nosso ofício é o nosso sentido de vida, é o nosso prêmio. E esse projeto do Luiz Fernando Carvalho é, por excelência, um projeto de delicadeza”, sintetizou a atriz.

Diariamente, o elenco ensaia com o diretor Luiz Fernando Carvalho e com a equipe de colaboradores que ele montou. Tiche Vianna, diretora e pesquisadora da linguagem teatral no Barracão Teatro em Campinas, trabalha a preparação do corpo através de máscaras. “Estamos nos servindo da máscara para que os atores possam trocar o corpo realista, natural, por um corpo de expressão mítica, fantástica, extracotidiana. A máscara tem uma representação muito forte, pois é um instrumento simbólico. Trabalhamos primeiro com a máscara neutra, que revela o corpo do ator e ajuda a entender o que ele deve deixar disponível para a personagem e, ao mesmo tempo, abre um espaço para o que ainda é inédito. Em seguida usamos as máscaras expressivas, de acordo com os arquétipos de cada um dos personagens”, explica Tiche.

Na área de interpretação, a colaboração é feita pelo ator Ricardo Blat, que atuou nas duas jornadas de Hoje É Dia de Maria: “Faço questão de acompanhar o treinamento de corpo, pois tudo está interligado: o corpo, a energia, o ritmo que tem essa obra. E o texto é também uma expressão dessa energia. As palavras não têm que sair como um texto decorado, mas como uma necessidade de usá-las. Trabalhamos sempre de forma a reavivar as palavras”.

Já o trabalho de consciência corporal e de respiração do ator é feito por Lúcia Cordeiro, dançarina e professora da Escola Angel Vianna, no Rio de Janeiro. “Além de integrar o grupo, o intuito dos exercícios de relaxamento, respiração e movimento é devolver o ator e seu corpo a ele mesmo, reconectar com seu potencial interno, desenvolver a confiança, o respaldo que o corpo dá para a personagem. Estou trabalhando com três referências: a respiração, a visualização e o espiritual. Esse é o caminho, sacralizar tudo o que se faz, ter essa religação com o espírito da vida”, afirma Lúcia.

O ator Ricardo Blat, que faz parte da equipe de colaborados do Luiz Fernando na preparação do elenco na área de interpretação, estuda o texto com os atores Roger de Renor, de Pernambuco, e Tavinho Teixeira, da Paraíba.

 

Preparação do elenco com Tiche Vianna (de blusa azul), diretora e pesquisadora da linguagem teatral no Barracão Teatro, em Campinas.

 

 

Elenco de A Pedra do Reino nos ensaios.


Fonte: TV Globo / Renato Rocha Miranda

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