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Duelo político na praça

A história política de Taperoá dos anos 70 em diante, como toda cidade de interior, foi construída com base numa bipolaridade que se alternou no poder até os dias de hoje, o modelo atual repete os erros e os acertos dos tempos de Manoel Maçonilo da Arena e José Ribeiro do MDB, partidos que hoje carregam as siglas, respectivamente, de PFL e PMDB.

 

Sem dúvida, a década de setenta foi um dos períodos mais fecundos para a nossa cidade. No Governo João Agripino foram realizadas algumas obras importantes e foram feitos muitos investimentos na cidade, surgiram as casas populares, a ponte nova, a luz elétrica e o saneamento, embora o esgoto público ainda seja um problema crônico no município. É inegável que ainda hoje assistimos os reflexos desta divisão política do município entre os herdeiros desses dois antigos clãs políticos.

Para compreender a situação política atual do município de Taperoá é preciso relembrarmos um pouco dos acontecimentos históricos que engendraram os fatos recentes em matéria de política. A tradição de oposicionista de Taperoá, não vinha de um comportamento rebelde e irreverente de seu povo, vinha por uma conveniência e por solidariedade a figura carismática de José Ribeiro de Farias, um político que não descansava, vivia e respirava, como todos sabiam, política 24 horas. Do outro lado, a figura tenaz e obstinada de Manoel de Assis Melo, que eu definira, como um fazendeiro e homem devotado aos negócios que nas horas vagas se dedicava a política.

José Ribeiro, como chefe do MDB, alcunhado de “juremeiro”, ainda não encontrei um motivo claro para o apelido, lá de seu túmulo ainda tem muito a ensinar aos atuais políticos taperoaenses. A primeira boa lição que ele nos deixou é que política se faz com moderação, a segunda, que política se constrói com perseverança e a terceira, é que política é a arte de respeitar os adversários. No pouco que o conheci, nunca percebi nele um homem autoritário, nunca escutei um palavrão de sua boca, era um homem sem orgulho, era simples como o povo, este, talvez, o grande trunfo político do mestre Zé Ribeiro. Era um homem solidário, trabalhava 365 dias do ano, tinha um ditado em Taperoá na época que dizia: se todos os afilhados votassem nele, Zé Ribeiro tinha a eleição garantida todo ano, tal era o número de pessoas que o tinha como padrinho.

Do outro lado, a figura empresarial e de homem de negócio de Manoel Maçonilo, sem tempo para fazer política como Zé Ribeiro. Era um político de linha dura, trabalhador e com faro refinadíssimo para os negócios. Eu costumava dizer que Taperoá precisava ter um líder partidário como Manoel Maçonilo que deixou as grandes realizações em obras da nossa cidade, também nos legou boas lições de autenticidade, honestidade e franqueza. Era um homem que não maquiava a sua personalidade para ganhar eleição, era daquele jeito autêntico em todas as ocasiões. Ressalte-se que Zé e Manoel conviveram tanto tempo como adversários políticos sem ranhuras da compostura. No cotidiano, eles foram sempre respeitosos um com o outro, apesar dos excessos de adjetivos que às vezes um ou outro partidário em campanha dizia nos palanques.

Naquele tempo existia um verdadeiro duelo político em praça pública entre os partidários da Arena e MDB. Os maiores excessos não passavam de pequenas rixas com alguns tapas e empurrões em algum bêbado contrariado pelas derrotas políticas. O melhor das comemorações eram mesmo as modinhas irônicas, “chafurdando” os adversários, nada muito sério apenas brincadeiras.

 

taperoa.com
José Humberto Vilar da Silva

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