O Seringueiro

E-mail Imprimir PDF

Poeta Ivandir Soares Campos
Adaptado do BIP nº 03 de 09 - 1992

O SERINGUEIRO

Enfoco o seringueiro, muitos vindos do Nordeste,
fama de cabra da peste, homem pobre, humilde e bravo,
fugindo da vida agreste, era transformado em escravo.
Transportado no “gaiola”, chegava cheio de esperança,
com intuito principal, voltar à terra natal, com uma boa poupança.

Mas não imaginava ele o que aqui lhe esperava,
um esquema bem armado que lhe deixava endividado,
ao barracão atrelado, trocava os alimentos pelo látex coletado.
Por mais que ele trabalhasse e borracha coletasse, nunca obtinha saldo,
pois o valor apurado, sempre era bem mais baixo, do que lhe era fiado.

Ainda com tempo escuro, bem cedo da madrugada, começava a jornada,
com sapatos de seringa e a “poronga” na cabeça para iluminar a estrada,
iniciava o trabalho, embrenhado na floresta, riscando troncos e galhos.
Depois dessa caminhada no corte das seringueiras, faca “jebongue” à mão,
retornava para casa e então se preparava para a cruel defumação.

Era uma técnica empírica para formação das “pélas” do látex coagular,
num defumador de barro utilizando fumaça, nem podia imaginar,
os problemas de saúde que esse trabalho rude poderia lhe causar.
Trabalhava ano após ano naquele isolamento, sem qualquer orientação,
a cabeça ficava tonta e só então se dava conta, de que estava perdendo a visão.

Para humanizar essa atividade surgiram alternativas, entre elas cooperativas,
associações e o conselho lutando para essa gente ter uma vida decente.
Mas havia muito que fazer, para o seringueiro vencer, o que vinha pela frente,
a queda da produção, do preço e da qualidade impediam a competitividade,
além dos seringais de cultivo crescentes e competitivos em outras localidades.

O seringal de cultivo surgiu como alternativa, mas foi tentativa em vão,
se por aqui não vingou, noutros estados prosperou pra nossa decepção.
Surgiram alguns programas, mas os tais seringueiros não viram a cor da grana,
com a atividade fracassada, as terras eram vendidas e as fazendas formadas,
tornando a pecuária uma atividade questionada, mas por muitos desejada.

É preciso batalhar para poder transformar a vida do seringueiro,
que precisa de ajuda, não somente de dinheiro, senão a coisa não muda.
A ajuda aqui proposta é algo digno e decente, que sirva como incentivo,
para um grande motivo: manter os seringais vivos, que é a vida dessa gente.

 

Ivandir Soares Campos
Adaptado do BIP nº 03 de 09 - 1992

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar