História de Taperoá 2

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TAPEROÁ

Antigo Batalhão, situa-se nos flancos do rio tem seu nascedouro nas fraldas do atual Município de Desterro, dantes inserido na circunscrição do Teixeira. No passado, foi conhecido como rio Travessia, pois através dele as expedições colonizadoras transpassaram do Cariri ao Sertão, varando ladeiras e gargantas da Borborema, na Paraíba.

O rio, que é curso de água apenas nas escassas e passageiras estações chuvosas, deixa , em sua calha, aqui e acolá, poços esparsos ao alcance de pessoas e animais, secando nos estios prolongados. Em seu leito e ribanceiras, podiam e podem ser abertas cacimbas em rasgos não muito profundos, de onde brota água em vazão razoável. As incursões para o oeste se davam com aberturas sempre paralela ao rio, d caminhos através da cortina vegetal formada por marmeleiros, pereiros, juremas, umbuzeiros, faveleiros, umburanas, juazeiros, aroeiras, barcuínas, entremeados por mandacarus, facheiros, palma branca, xique-xique, coroas de frade, urtigas, macambiras. Em à vegetação nativa, em sua maior parte com espinhos e até catombos, como o angico, para se defender dos predadores, circulavam animais bravos, alguns agressivos e perigosos, a exemplo das onças e serpentes. Ali conviveram os indígenas incivilizados muito delas incivilizáveis.

Travessia foi o 1º nome de São João do Cariri, às margens do rio Taperoá. Segundo José Leal Ramos, patriarca do jornalismo e da historiografia, ali nascido, a 1ª referencia do rio Travessia ocorreu em meados do século XVII, em informes que a então Capitão Mor do Cariri de Fora, Clemente Amorim e Souza, transmitiu ao governador Geral da Brasil. Do seu relatório constavam descrições das terras do Cariri, como seguinte registro: “Entre o Sítio Cornoió e o Sítio da Cruz, faz barra, da mão direita, o rio Travessia.

O peregrino Irineu Ferreira Pinto reporta-se a Batalhão como originário de um acampamento, as margens de uma lagoa, de tropa que se embrenhou no Cariri, em perseguição a índios. Surgira daí o batismo Lagoa do Batalhão, na circunscrição de Taperoá, o lago que existia, na direção Oeste, era a conhecida Lagoa Queimada, hoje formando a bacia do açude público Manoel Marcionilio. Outro era a lagoa do Meio, a leste, onde foi construída também um açude, com essa denominação. Mais abaixo, há a Lagoa de escuro, inserida na propriedade Riacho do Escuro.

Certo é que os Oliveira Ledo, com seus troços, foram os 1º civilizados a porem os pés em Batalhão, que acabou sendo nome de uma das fazendas de agricultora e criação, abrangendo o chão onde muitos anos depois surgiu a povoação que se fez vila e cidade às margens do velho rio Travessia.

Taperoá, topônimo mais novo, constitui outra incógnita. Que é nome indígena não há dúvida. São variadas as traduções. José Leal, em Vale Travessia, invoca tupinálogo conceituado, para dar seguinte tradução:-“Taper-vá-morador dos taperas, de tapera, aldeia abandonada”.

Na verdade, os índios sucurus, escorraçados e batidos, fugiram da beira do rio para as montanhas e pés-de-serra, onde estariam longe das investidas dos colonizadores.

“Taper-va” também era nome de andorinha, no linguajar dos índios.

A povoação batizada Batalhão, viria ser a atual cidade de Taperoá. Até 1867, era um lugar despovoado. Em 1886, foi Vila. Em 1989, tinha perto de 150 casas, à margem da estrada, uma delas a que pertenceu a Manoel Farias Castro, venda e estabelecimento comercial.

Constituído o município, do seu território foram desmembrados no século XX os distritos de Livramento, antigo Sarapó, e Assunção, antiga Estaca Zero, emancipados.

1ª s Construções:

Ø Igreja de São Sebastião, construída no local onde foi erguida capela de taipa em fins do século XIX, quando nascente a povoação de Batalhão. Ao lado da igreja, o mausoléu de Laurênio Bezerra D’Albuquerque, pernambucano de Camutanga, que muito fez por Taperoá. Faleceu em 1894, vítima de bexiga.

Ø Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, iniciada em 1887-1888 pelo Padre Manoel Ubaldo da Costa Ramos (padre Neco), de São João do Cariri. Foi concluída no século XX. No topo de uma colina, dos seus batentes contempla-se a urbe.

Ø Sobrado do século XIX, à rua 15 de novembro, construído por Laurêncio Bezerra D´Albuquerque. Ai morou Cícero Dias Macaúba, comerciante e prefeito interino por algum tempo em 1932. Hoje mora Anésio.

Em últimas palavras podemos dizer que a estrada entre o Cariri e o Sertão cortava o sítio Batalhão, que pertenceu ao tenente – Coronel Antônio de Albuquerque e Mello. Diz-se e repete-se que o fundador da povoação foi Manoel de Farias Castro, natural de São João do Cariri, cobrador de dízimos, casou-se com Felipa Maria da Silva e dedicou-se à agricultura e pecuária e instalou bodega, curral e armazém à beira da estrada. O local era pouso dos tangedores.

Desde os primórdios, de povoado, visto até cidade ou de Batalhão a Taperoá, de poucos habitantes, hoje aproximadamente 15 mil habitantes, uma história vivida e hoje repassada a nova geração.