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O Auto da Compadecida

Formado em Direito e Filosofia, Ariano Suassuna é casado com Zélia Suassuna e pai de seis filhos. É professor na Universidade Federal de Pernambuco, foi diretor do Departamento de extensão Cultural da mesma universidade e membro do Conselho Federal de Cultura de 1967 a 1973. Autor de numerosos ensaios sobre pintura, gravura e escultura, é fundador e figura central de um movimento artístico por ele batizado de Armorial. É membro da Academia Paraibana de Letras Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2000)

A obra é permeada de histórias engraçadas, inventadas por Chicó, e recheada de situações anedóticas protagonizadas por João Grilo (um especialista na arte de contar historias e mentiras). Sua linguagem já pressupõe a presença devido à aproximação dela com a oralização, isto é, o texto serve de caminho para uma via oral de expressão e é através dela que o estilo do autor é representado, pois é no decurso dela que o autor cria e comunica sua mensagem principal.

O texto de Ariano se aproxima mais dos espetáculos de circo e da tradição popular – por seu modo de relatar os fatos – de que do teatro moderno. Segue uma linha simplista, tendo como elemento fundamental, para sua compreensão, a estrutura propriamente dita, isto é, a forma final do texto. Nesse ponto de vista (estrutural) a peça gira em torno do personagem João Grilo, sua presença é fundamental em todas as seqüências: “Ai, João Grilo, meu querido, me acuda que eu estou morrendo”. (Auto da Compadecida, 2001, p. 82).
A intenção dessa obra é totalmente de natureza moral católica, mas por outro lado observa-se uma preocupação maior em compor um auto de moralidade seguindo o estilo quinhentista português (Gil Vicente), buscando-se em determinadas tradições localistas e regionalistas do folclore.

Os instrumentos culturais mais significativos (as crenças e a literatura de cordel) da realidade regional brasileira, mais especificamente da realidade regional nordestina, declaram a presença dessa realidade na peça.

O autor pretende moralizar os homens a partir dessa realidade, mostrando suas responsabilidades em relação a Deus e ao próximo e dinamizando nas suas consciências a noção de dever humano.

Com bom humor, a obra traz histórias da tradição oral nordestina, mostrando um povo religioso, simples, de pé no chão, acuado pela seca, atormentado pelo fantasma da fome e em constante luta contra a miséria. Esse povo se limita pelas restrições impostas pelos chefes políticos, pelas imposições morais da Igreja Católica e é castrado em seus posicionamentos pelo analfabetismo e, também pela falta de informações.

A religiosidade desse povo é retratada na obra através do personagem principal, João Grilo. Ele tem a maior fé em Jesus, especificamente em Nossa Senhora e na hora do sufoco faz um apelo a misericórdia e é atendido através da sua fé.
Observando o protagonista da obra (João Grilo), podemos notar outra característica bem comum desse personagem – a simplicidade. Ele retrata perfeitamente essa simplicidade no seu jeito de ser: sabido, analfabeto e amarelo, habituado a sobreviver a partir de expedientes, vive em desconforto e sua miséria é sua companheira.

Pode-se dizer que esse texto é uma tentativa de romper os preceitos da classe dominante, através de uma personagem que busca incansavelmente uma vida mais digna, utilizando assim meios desonestos para conseguir essa melhoria na sua vida. Observando o fiel escudeiro de João Grilo (Chicó), percebemos que este vive em um mundo imaginário.

Suas histórias mentirosas retratam parte desse mundo que ele usa para se refugiar da realidade vivenciada por ele: “Exatamente, João, o bicho me pescou. Para encurtar a história, o pirarucu me arrastou rio acima três dias e três noites” (Auto da Compadecida, 2001: 58).
Trata-se de uma obra, com efeito, cômico, apresentado um contraste entre o espiritual e o carnal melhor retratado no vídeo onde observamos com vivacidade essa oposição, pois através das imagens podemos ver os personagens arrependidos por terem sido levados pelos prazeres da carne e, ao mesmo tempo, implorando misericórdia.

Pode-se dizer que esse texto é uma tentativa de romper os preceitos da classe dominante, através de um personagem que busca incansavelmente uma vida mais digna, utilizando assim meios desonestos para conseguir essa melhoria na sua vida.

SINOPSE

No vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba, João Grilo e Chicó, dois nordestinos sem eira nem beira, andam pelas ruas anunciando A Paixão de Cristo, “o filme mais arretado do mundo”. A sessão é um sucesso, eles
conseguem alguns trocados, mas a luta pela sobrevivência continua. Em busca de um novo emprego, João Grilo e Chicó acabam arrumando serviço na padaria e prá começo de conversa, dão a volta na sovinice do padeiro. O emprego
apresenta ainda outros desafios. Dora, a mulher do patrão, trata muito melhor a sua cachorrinha do que gente. Além disso, é a maior namoradeira de Taperoá.

Um casal formado por um sovina e uma mulher infiel são um prato cheio para as artimanhas da dupla faminta. Quando a cachorrinha de Dora morre, João Grilo tenta cair nas boas graças da patroa, e promete um enterro abençoado pelo Padre. Para convencê-lo a realizar a cerimônia, com missa em latim,João Grilo inventa um testamento da cachorra, engana o padre e o bispo e ainda cria um confronto entre o manda-chuva da cidade, o major Antonio
Moraes e a Igreja.

Novos desafios vão surgindo, provocando mais confusões armadas pela esperteza de João Grilo, sempre em parceria com Chicó. A chegada da bela Rosinha, filha de Antonio Moraes, desperta a paixão de Chicó, e ciúmes do
cabo Setenta. Os planos da dupla, que envolvem o casamento entre Chicó e Rosinha e a posse de uma porca de barro recheada de dinheiro, são interrompidos pela chegada do cangaceiro Severino, que liqüida o padeiro e sua mulher, e também o padre e o bispo. A princípio, João Grilo parece que vai se safar, aplicando o golpe da gaita no cangaceiro. Severino tomba por terra, mas seu capanga resolve terminar o serviço, atirando em João Grilo.

Todos os mortos reencontram-se no Juízo Final, onde serão julgados no Tribunal das Almas por um Jesus negro e também pelo diabo. O destino de cada um deles – o céu ou o inferno – será decidido pela aparição de Nossa Senhora, a Compadecida e traz um final surpreendente, principalmente para João Grilo. Afinal de contas, uma vida era muito pouco para um cabra de alma pura como João Grilo em busca de uma existência mais digna.

PERSONAGENS :

João Grillo …………………Matheus Nachtergaele
Chicó……………………….. Selton Mello
Padeiro………………………Diogo Vilela
Dora…………………………. Denise Fraga
Padre João………………… Rogério Cardoso
Bispo………………………… Lima Duarte
Cangaceiro Severino……..Marco Nanini
Capanga…………………….Enrique Diaz
Cabo Setenta………………Aramis Trindade
Vicentão…………………….Bruno Garcia
Diabo……………………….. Luís Melo
Jesus Cristo…………………Maurício Gonçalves
Nossa Senhora…………….Fernanda Montenegro

FICHA TÉCNICA

Direção: Guel Arraes

Adaptação: Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão
(com base na peça teatral de Ariano Suassuna)

Direção de Arte:……………………..Lia Renha
Figurinos:……………………………….Cao Albuquerque
Direção de Fotografia………………Felix Monti
Câmera…………………………………Ricardo Fuentes
Montagem……………………………..Paulo Henrique
Direção de Produção……………… Eduardo Figueira
Produtor Associado ………………..Daniel Filho

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