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Racismo

Tribuna da Imprensa
De: Hélio Fernandes (Rio de Janeiro, 16/04/05)

A crueldade do racismo ou preconceito
O Brasil na frente de todos na punição à discriminação

A crueldade do racismo ou preconceito
O Brasil na frente de todos na punição à discriminação
O caso da agressão verbal do jogador argentino Desábato contra o brasileiro Grafite teve impressionante repercussão no mundo inteiro. No mundo ocidental nem se fala.

O mais extraordinário é que até o jornal de maior circulação popular da China tratou da questão. Todos condenaram a crueldade do racismo contra os negros (existem muitos tipos de racismo), e logo no dia seguinte. Não se esperava tanto. O mesmo Desábato usou exatamente as palavras que usou aqui também contra Grafite no jogo de ida na Argentina.

Essa repercussão é um orgulho para o Brasil, pois acima de tudo e em primeiro lugar ela tem uma base: o Brasil é o único país do mundo que "criminalizou" duramente o racismo. Qualquer atentado aos negros é punido de forma irreversível. O agressor (geralmente verbal) é preso, julgado e sujeito a condenação que varia de 1 a 3 anos de detenção.

Isso se deve a mestre Afonso Arinos de Mello Franco, que não deixou apenas projeção intelectual como professor, escritor, deputado, senador (duas vezes), chanceler, conferencista. É dele a lei contra o racismo que muito justamente leva o seu nome. Afonso Arinos não acabou com o preconceito ainda profundamente sentido na nossa formação, como deixou bem claro outro mestre, Gilberto Freyre), mas puniu as perseguições ou os excessos.

Na verdade, durante dezenas ou até centenas de anos praticamente não existia preconceito e sim negócio. Para os que vendiam os negros da África e para os que compravam, principalmente nos EUA e Europa. Ganhavam fortunas na África mesmo, negros vendendo negros, provando o que eu disse: era uma das melhores formas de enriquecimento. Se o grande negócio fosse vender brancos, amarelos, vermelhos, todos seriam vendidos.
Isso durou mais ou menos até 1780, com o surgimento da Revolução Industrial na Inglaterra. Com essa nova forma de produção, houve crescimento fantástico do produto, faltava consumidor. As populações da Europa eram negras e escravizadas, não ganhavam nada, como comprar? Sem nenhum preconceito, apenas fazendo cálculos de cabeça (ainda não existiam as "maquininhas"), os empresários chegaram à seguinte conclusão: o melhor negócio não era mais a ESCRAVIDÃO e sim a ABOLIÇÃO.

O raciocínio inteligente e sem preconceito era este.
1 – Como não ganhavam nada, os negros escravos não tinham dinheiro para consumir.
2 – Os "senhores" tinham que pagar alimentação, roupa, remédios, moradia, tudo o que eles precisavam.
3 – Se libertassem os escravos e pagassem como salário o dobro do que despendiam com eles, surgiria uma nova classe de consumidores, milhões.
4 – E esse dinheiro pago aos escravos teria que ser gasto com os próprios "senhores".
5 – Pois alimentação, roupa, transporte, habitação, saúde, tudo era controlado pelos "senhores", que enriqueceriam ainda mais.
6 – Por volta de 1830 a 1840, a Europa não tinha mais nenhum escravo, os "senhores" cada vez mais ricos eram aplaudidos pela "generosidade".

Em 1850 só 3 países mantinham a ESCRAVIDÃO: EUA, Cuba e Brasil. Mas a "inteligência" da Europa já dominava uma parte dos EUA, o Norte. Libertaram os negros, conheceram uma aura de progresso jamais vista. Por outro lado, o Sul, escravagista, mas acima de tudo BURRO e PRECONCEITUOSO, apertava ainda mais os laços da crueldade, diziam: "Se libertarmos os negros iremos à falência".

Por causa dessa BURRICE e PRECONCEITO, em 1860, com Lincoln já eleito mas ainda não tendo tomado posse, explodiu a mais vergonhosa e mortal guerra civil de toda a história, pelo menos em termos globais. Que de guerra contra a escravidão se transformou em luta pelo separatismo, historicamente identificada como Guerra da Secessão. Até hoje o Sul dos EUA é racista, burro, preconceituoso, base da ainda existente Ku Klux Klan.

O preconceito não vai acabar tão cedo, o sistema de cotas, tão polêmico, é um exemplo disso. Mas o Brasil, o último a acabar com a escravidão, é hoje o primeiro e único na C-R-I-M-I-N-A-L-I-Z-A-Ç-Ã-O do racismo.

PS – No episódio do argentino que chamou o brasileiro de "negro de merda" fato que acontece na Europa "civilizada"), dois elogios que não podem faltar. Ao jogador Grafite, insultado, que apesar de todos os pedidos e até exigências não recuou, fez questão de registrar a queixa. Como o crime era individual, sem queixa não existiria o processo, a prisão e a punição.

PS 2 – O outro foi o fato de Lula, quase simultaneamente (mas uma coisa não sendo conseqüência da outra), ter pedido perdão aos negros. Numa época em que até papas pedem perdão, o presidente do Brasil ganha aplausos merecidos.


Fonte: Transcrito por, Marcos Costa

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