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Manelito Dantas Vilar, o homem mais teimoso que a face da Terra pariu e jogou para o Cariri

Encontrei ontem, em João Pessoa, o produtor rural, criador de bichos, professor e engenheiro Manelito Dantas Vilar, o homem mais teimoso que a face da Terra pariu e jogo para o Cariri da Paraíba.

Há mais de sete décadas, por herança familiar de terras e gados, o velho professor teima em viver e produzir no Semiárido nordestino, a região seca mais habitada do mundo.

Manelito tem o melhor banco de dados sobre o Semiárido brasileiro e o regime de chuvas na região. Desde 1912, ainda no século passado, o que aconteceu no Nordeste do Brasil, em se tratando de chuvas, está registrado nos arquivos dele na Fazenda Carnaúba, em Taperoá.

Estudioso do Semiárido, Manelito é crítico ferrenho das políticas públicas adotadas deforma oficial para a região, diz que o Bolsa Família do governo mantém as pessoas vivas apenas biologicamente e afasta o risco de se morrer de fome por falta de comida, mas não trata do serve da questão dessa região.

Diz ele: “Restam os bichos, os ruminantes da saliente pecuária, a atividade produtiva histórica, desde a Manjedoura de Belém, nas regiões secas do mundo. E, aí, é preciso se defender da ‘cultura’ oficial, que só pensa e fala em proteína, enquanto o gargalo do Semiárido é a energia, o volumoso da ração animal”.

Enfurnado na Carnaúba, Manelito tem travado uma guerra verbal com as instituições de crédito rural, como o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), que considera introdutor de uma política equivocada para o Semiárido, que mais atrapalha do que ajuda.

Um exemplo: teve um tempo que os donos de usina consideravam o bagaço de cana uma espécie de lixo que só causava entulho nas terras que deveriam produzir cana. Eles – os donos das usinas – davam a Manelito quantos caminhões ele necessitasse.

O Xis da equação era o transporte, que era caro, e o Banco do Nordeste, movido por sua eterna burrice e equívoco, não financiava o transporte do bagaço, pois seus recursos de financiamento só poderiam ser carreado para custear as Purinas do mundo, o que é um outro equívoco.

Manelito é dono de um humor sarcástico, seco, que força seu interlocutor a mexer com o intelecto. Um dia, na virada do milênio, um repórter do Globo Rural foi à Fazenda Carnaúba e perguntou quantas secas tinham havido no Nordeste no século passado.

A resposta de Mané: “Cem”. O jovem jornalista quase cai para trás diante da resposta de Manelito. Mas o velho professor veio em socorro do rapaz. E explicou: “o problema do Semiárido não é a seca. Todos os anos, nesta região, há quatro meses de chuvas e oito meses de estiagem. O problema é quando não chove nos quatro meses e a seca de um ano emenda com a de outro. Esse é o problema”.

Em outra oportunidade, Manelito estava a conversar com um dos diretores do Banco do Nordeste e lhe disse que os americanos do Norte e os australianos transportavam, até de avião, fardos de feno e soltavam nos campos secos do Sul para salvar os rebanhos.

Segundo Mané, o homem do Banco do Nordeste fez cara de inteligente, torceu o beiço para o lado e disparou à queima-roupa: “Eles fazem isso porque são ricos”.

Não vê esse coitado que eles ficaram ricos porque fizeram exatamente assim…Deus nos livre…

O professor Luiz Carlos Molion fez palestra, ontem, durante a realização do SOS Seca – Paraíba e fez uma previsão de arrepiar: disse que neste ano de 2013 vai chover abaixo da média no Semiárido do Nordeste.

Ou seja, poderemos ter mais um período de estiagem no Sertão nordestino. Se isso acontecer, será o fim.

A Paraíba, por exemplo, já perdeu mais de 50 por cento do seu rebanho bovino. Isso acabou por desmontar uma cadeia produtiva a base de carne, couro e lacticínios por todo o interior da Paraíba.

Nesse momento, a Paraiba vive um momento muito difícil com a estiagem. Se houver outro ano de seca será o nosso fim.

 

taperoa.com
Com Giropb – Zé Euflávio

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