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O QUE É QUE O SEMI-ÁRIDO TEM, HEIN?

SEMI-ÁRIDO (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa – Porto, Lello Editores, 1996 e 1999): “um tanto árido; meio árido. ÁRIDO: sem umidade; seco”. Tá aí, o que podemos retirar desse nome um tanto contrastante e o que nos faz lembrar de tal? Bem, são duas perguntas, mas comecemos logo falando a respeito da abrangência do Semi-Árido no espaço natural, caracterizando grande parte da região Nordeste em vários de seus estados: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, o norte de Minas Gerais e, claro, nossa Paraíba.

Agora, retomando as perguntas feitas anteriormente, acredito que “contrastante” refere-se ao fato da área ser composta por pequenos rios e por ser possível o acesso à ág

ua subterrânea em algumas áreas, embora o clima, na maior parte do ano, é mais que “modesto” (regular), pelo fato de que as chuvas são ineficientes, pois, ao chover, o solo não consegue reter a água porque ele é bastante desgastado devido, na maioria das vezes, à prática da agropecuária, atividade bastante comum nessa região, e o meio de sobrevivência de muitas famílias.

Antes de tudo, não se pode falar sobre o semi-árido sem citar cidades, e dentre ela encontra-se a Princesa do Cariri, Taperoá, que atualmente conta com cerce de 16 mil habitantes e há pouco tempo atrás foi bem vista pela imprensa devido às gravações da minissérie Pedra do Reino, que além de favorecer empregos para a população local também contou com a participação de algumas pessoas na gravação e gerou uma boa renda. Contudo, a região já sofreu com períodos de seca, nos quais o último, em 2004 movimentou as pessoas em busca de água em carros-pipas que serviam de abastecimento de água na área. Mas do outro lado do pano vemos uma Taperoá com um bom desenvolvimento cultural, através de projetos como o grupo de dança Os Cariris, a Associação de Artesanato, entre outros. Do ponto de vista econômico é uma área que basicamente é girada em torno da agricultura e criação de ovinos, caprinos, bovinos, etc; e tende a crescer se houver incentivos por parte do governo municipal. Além disso, não pode deixar de falar a respeito do Projeto “Palmas para o Semi-Árido”, realizado pela SEBRAE e que “visa popularizar e estimular o consumo e plantio da palma no semi-árido paraibano” e beneficiará 15 famílias e concomitantemente outros municípios como Itabaiana, Cubati e Monteiro. Outro ponto importante e que prestigia a cidade são os seus filhos ilustres, dos quais podemos citar a saudoso Ariano Suassuna, Vital Farias, Dorgival Terceiro Neto, Silvio Meira, entre outros. Contudo, ainda podemos caracterizar outra importante cidade do semi-árido paraibano: Cabaceiras, com o título de município onde menos chove no país; e isso não é à toa, pois lá chove menos de 234 mm durante todo o ano, com as precipitações ocorrendo apenas três meses. Apesar disso tudo, a cidade também recebe outro título: “Roliúde Nordestina”, fazendo a referência de diversos filmes que foram gravados lá, inclusive algumas partes também de O Auto da Compadecida, e demais filmes de Guel Arraes, sendo assim, a cidade abriga um Memorial Cinematográfico e tem um bom fluxo turístico durante o ano. Também não pode-se esquecer dos filhos ilustres, como Félix Araújo(político, poeta, tribuno, secretário de governo, ensaísta, crítico literário, escrituário, livreiro, radialista, jornalista e conferencista) e José Pessoa(militar).

Mas então, ampliemos o horizonte e entremos numa jornada “calorante” pelo Semi-Árido paraibano e realmente vamos descobrir aquilo que é alvo de certo esquecimento, tanto por nós, enquanto paraibanos, como por nós como cidadãos, brasileiros. Então, O QUE É QUE O SEMI-ÁRIDO TEM, HEIN?

Imagine, então, se fosse realizada uma pesquisa a respeito dos fatores que lembram o Semi-Árido. Não me restariam dúvidas de que a maior parte das respostas seria: a imagem de muitas pessoas em busca de um “tantim” de água para a sobrevivência, bem como a figura de homens, por exemplo, que são obrigados a retirar seu sustento dos recursos naturais. Ambas as idéias se completam e tudo isso é resultado dos períodos de seca da região, onde as chuvas são de, no máximo, 800 mm, quantidade restrita há uns poucos meses durante o ano.

Outra característica do Semi-Árido é a seca, exatamente o que a grande massa vê na maioria dos jornais durante grande parte do ano, algo do qual somos conhecedores, assim como sabemos que o gelo derrete, ou melhor, queima, no fogo. Esse “problema” toda família tem que enfrentar e a única coisa que lhe resta é a esperança, a qual ninguém pode tirar e “nem a areia pode enterrar”. O contrário acontece com os poucos recursos naturais e a biodiversidade de fauna e flora, a qual também corre riscos de extinção, além da própria raça nordestina, mas não damos o braço a torcer e a nossa história não nega que podemos agüentar mais e mais, só que não se pode esquecer de que pra tudo há limites.

Entretanto, o Semi-Árido, como muitos têm em mente, não é um local impróprio para a vida nem tampouco algo desértico, pelo contrário, ele apresenta alta diversidade biológica e ricos recursos naturais. De fato, a escassez de chuva durante parte do ano acarreta a ineficiência e má distribuição da água na região, sendo que as características naturais e físicas tornam vulnerável a ocorrência de secas na região, visto que uma das principais explicações para isso é ineficiência também do poder público.

Contudo, os primeiros passos já foram dados através de um projeto desenvolvido pelo Programa de Cisternas do Ministério do Desenvolvimento Social, que beneficia várias famílias em toda Paraíba, como também em todo o Nordeste. Mas o objetivo fica de ir “além do horizonte” e fazer o possível para melhorar a situação atual.

Bem, falando como uma estudante que, digamos, “tem tudo nas mãos”, poderia me colocar num só momento no lugar daquelas famílias que sofrem todos os anos por algo que pode ser considerado como “monótono” porque se repete anualmente, periodicamente. Então, não é fácil o que essa população sofre e a aflição dela, além de que fazem de tudo para ter uma vida melhor e oferecê-la aos seus filhos, todos inocentes e condenados a condições bastante precárias de vida, enquanto estamos “esbanjando tudo do bom e do melhor”, pois temos água pra beber a qualquer momento, temos “facilmente” acesso ao dinheiro, temos desde um ventilador até um ar-condicionado em casa para sanar o calor, temos meios de comunicação, entre outros. Isso não quer dizer que estou desmoralizando as pessoas que têm uma condição de vida bem sofrida, o fato é que não sabemos um terço sequer do que elas passam diariamente. Desse modo, pode-se atribuir um novo significado à palavra PROBLEMAS, pois o que chamamos de “problemas” não se compara ao dia-a-dia de muitas pessoas.

Enfim, as secas futuramente ocasionarão segundo estudiosos, o processo de desertificação de muitas cidades do nosso estado, onde as chances se tornam cada vez maiores e a cada dia que passa parece que estamos num deserto, no popular, “na porta do inferno”. Pois é, as secas causam muita aflição nas populações do Nordeste de um modo geral. Todavia, não temos como reverter a natureza do Semi-Árido, mas podemos mudar o nosso jeito de viver nele.

Em suma, vemos que o Semi-Árido não tem apenas coisas ruins, como muitas pessoas pensam, e uma curiosidade sobre ele é que, apesar de seco, é um dos semi-áridos mais úmidos do planeta, parece até mentira, mas não é. Não resta dúvida de que ele foi e é uma região esquecida por muitas pessoas, além de que o próprio governo que precisa principalmente de uma maior valorização, maiores investimentos na região. Pergunto, pois, onde estão os paraibanos? Vamos agir, vamos pensar, vamos LUTAR pelo que ainda nos resta. Devemos valorizar nossa “cultura”, assim, acredito que responderemos a pergunta que foi formulada inicialmente.

 

taperoa.com
Texto da aluna: Clarissa Maria Cardoso Guimarães (foto)
Jovem Taperoaense que ganhou o prêmio “Expedição do semiárido” da UFCG no Concurso de Redações e Artigos Científicos

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