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Meio de vida

O artesanato se transformou em fonte de renda e meio de vida para mais de 4,2 mil pessoas no Estado da Paraíba. A atividade reproduz a realidade e negócios ultrapassam R$ 5 milhões, desde 2003. O artesanato se transformou em fonte de renda e meio de vida para mais de 4,2 mil pessoas no Estado da Paraíba. A atividade reproduz a realidade e negócios ultrapassam R$ 5 milhões, desde 2003.

Pelo menos 4,2 mil artesãos em 120 municípios paraibanos podem viver de sua arte e sua produção graças à visibilidade que vêm tendo com ações de fomento ao artesanato no Estado.

Com fibra, com argila, com palha, papel, metal, garrafa, linha, algodão, tecido, cola, tinta, couro, madeira, fios, pedras, ossos, qualquer que seja a matéria-prima, a técnica do artesanato encanta pela reprodução em arte da realidade, da história e da cultura de um povo, orgulha pela valorização da arte e por dar uma oportunidade de trabalho e elevar a auto-estima de uma categoria que já foi marginalizada e excluída na Paraíba, mas que ganha cada vez mais espaço através de ações e programas de incentivo à atividade. Um deles é o programa A Paraíba em Suas Mãos, que indiretamente já beneficiou 15,2 mil pessoas.

A artesã especialista em cerâmica Sandra Regina Valdujo de Oliveira, de 37 anos, não pensa mais em voltar a ser assistente administrativa, profissão que exerceu em São Paulo por dez anos, porque hoje consegue tirar seu sustento do artesanato. Ela faz terços perfumados feitos com pétalas de rosas e é uma das poucas que produzem esse tipo de artesanato no Estado. “Morei um tempo em Portugal e aprendi a técnica com uma senhora, uma freira”, revelou. No Brasil, as bolinhas feitas de massa e pétalas de rosas foram adaptadas e ganharam a cara da artesã local. Ela forra as bolinhas com tecido e modela as bordas do tecido para que ganhem o formato de uma rosinha.

O suvenir vem acomodado dentro de um delicado pote de barro e sua produção, em média 80 por mês, rende pelo menos R$ 1.000 a R$ 1.300 mensais para a artesã, que vende cada unidade a R$ 15 (diretamente às lojas, em quantidade) e a R$ 25 (preço de mercado). Juntando tudo, ao todo ela consegue a renda de pelo menos R$ 2 mil mensalmente com os terços, com oratórios e estátuas de santos de 20cm a 1m, cuja produção chega a 7 oratórios e 6 santos por mês, santos como Santo Antônio, São Francisco e bonecas rezadeiras segurando um terço.

O negócio deu tão certo que Sandra Regina exporta seus terços inclusive para os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Pernambuco através de transportadoras, mas garante que as vendas também estão muito fortes na Paraíba.

Papel de jornal ganha formas inusitadas

O que é, o que é, era papel de jornal e virou um sofá. Carlos Antônio Apolônio da Silva, conhecido como Carlos Apollo, tem 41 anos, pelo menos 20 deles trabalhando com artesanato, atividade que começou a desenvolver ainda sem compromisso nos municípios de Esperança, onde nasceu, e Olivedos, onde morou, no interior da Paraíba, quando confeccionava adereços, acessórios e cenários para teatro. Mas, como tantos outros artesãos, agora é que ele vem ganhando espaço e destaque em sua atividade e, claro, com isso, dinheiro.

Ele mora em Tibiri, no município de Santa Rita (PB), e todo mês consegue ganhar pelo menos R$ 1,2 mil com sua produção, mas em tempos de feira e outros eventos ligados ao artesanato, a renda bate os R$ 4 mil. Ele começou esculpindo esculturas em madeira e atualmente trabalha com papel de jornal, matéria-prima com que faz de tudo, até móveis, como um sofá feito com papel de jornal trançado e envernizado feito em base de garrafas pet amarradas com barbante, o qual levou um mês para confeccionar e está vendendo ao preço de R$ 600, uma poltrona, uma cama, que durou o mesmo tempo para ser feita, um pufe, um criado-mudo e um abajur criados pelo artesão.

Especialista em produtos feitos com papel de jornal, o forte do escultor é, além de cestarias e móveis, esculturas pintadas na cor bronze, prata, cobre e ouro, além de troféus geralmente encomendados pelo menos uma vez por ano, para eventos e premiações, pilares que servem como base para esculturas e plantas, e um pilão de grandes dimensões que é uma sensação.

“Para mim, meu trabalho é uma forma de transformar. Você passa em uma rua, está aquele monte de jornal, mas ninguém vê arte ali, vê um acúmulo de lixo que se der uma chuva vai entupir as galerias”, disse.

Quem vê a imagem em formas palpáveis de um Virgulino Lampião e uma Maria Bonita esculpidos em papel, em madeira ou argila, ou retratados em quadro pintado em alto-relevo sobre o papel de jornal trançado, tem uma leve amostragem do que é o artesanato paraibano. O casal é sempre tema para os artesãos, seja em metal, arame, madeira, pedra, papel, tinta ou argila.

Em suas esculturas, Carlos Apollo, como assina o artesão, explora o famoso casal de cangaceiros dentre uma série de outros personagens nordestinos anônimos, mas a figura da tocadora de pífano Zabé da Loca é seu principal xodó, aparecendo em inúmeras esculturas. Por enquanto ele ainda não está exportando, suas obras ganham o Brasil e o mundo através dos turistas que visitam o Estado e adquirem suas esculturas, mas sua maior clientela é da Paraíba.

Programa integra atividade ao turismo

O principal objetivo do programa A Paraíba em Suas Mãos é promover o desenvolvimento do artesanato paraibano, para que seja reconhecido nacional e internacionalmente, de forma integrada com o turismo, melhorando as condições de vida dos artesãos e artistas populares, através da geração de trabalho e renda, preservando as formas de identidade cultural da região que podem ser transmitidas por processos educacionais às novas gerações.

O resultado de todo esse esforço é confirmado pelos artesãos em toda a Paraíba. “Ultimamente as vendas estão sendo muito boas, principalmente de novembro a fevereiro, quando o turismo é mais forte”, comemorou.

Graças ao programa, os artesãos paraibanos já estiveram em 58 feiras estaduais, 62 feiras interestaduais e 21 internacionais. Além de promover cursos, treinamentos, seminários, consultorias e trabalhar na comercialização desses produtos, gerando renda para as comunidades, o programa investiu em infra-estrutura, em benfeitorias em 21 localidades, com a construção ou recuperação de instalações físicas, máquinas, equipamentos, utensílios e treinamento na tarefa de aviamentos.

taperoa.com
JP

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